3 perfumes de machão: Azzaro, Kouros e Cool Water

Ilustração de Rene Gruau para a campanha de Eau Sauvage.

Aqui caberia, mais ou menos, todo o gênero fougère, que é por excelência o lugar do masculino na perfumaria. Isso num tempo em que o mundo era dividido entre machos e garotas — fougère para meninos, chypre para meninas — mas desde que jogadores de futebol passaram a depilar a sobrancelha e usar hidratante Victoria Secret a coisa ficou complicada. O mundo já foi mais binário.

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Fougère significa samambaia em francês mas deve ser entendido de modo evocativo: eles partem da lavanda para conseguir um efeito herbal, verde, as vezes amargo como tomilho, as vezes mentolado, pontudo, como pinho e eucalipto. Fica impossível não associar com produtos de limpeza: sabonete, pós-barba, desodorante, as vezes Pinho Sol. Ou seja, pode ficar vulgar (barato ou comum), confie no seu nariz e disposição. São perfumes de peito cabeludo, barba cerrada, talvez camisa aberta e correntes, para despertar o George Clooney em você.

 

Kouros, Yves Saint Laurent

Junto com o Poison (Dior) é o casal maior dos anos 80, que fez uma geração achar que não gosta de perfume. Se o gênero fougère está no banheiro, seja no sabonete ou no desinfetante, Kouros está no mictório: tem uma nota de sálvia tão grande que lembra xixi, pinicando o nariz. No meio disso se percebe rosa e lavanda, combinação clássica do sabonete: tem alguém tomando banho nesse banheiro. Kouros brinca com o sujo e o limpo, que é uma das graças da perfumaria. Li um comentário no Fragrantica que traduz muito bem.

Uma mulher conta que entrou num vestiário do time de rugby depois do jogo, e o ar era uma mistura de adolescentes suados, um eventual xixi no mictório e vapores de sabonete saindo do chuveiro. Não parece com absolutamente nenhum outro perfume, é lindo e um clássico. O erro é exagerar na dose, usando pouco ou só embaixo da roupa não tem erro.

Kouros, Yves Saint Laurent.

Kouros, Yves Saint Laurent.
R$199,00 (50 ml)

Nas perfumarias

Cool Water, Davidoff

Mesmo sem conhecer você já conhece. Toda marca fez um ou pegou um trecho, todos os produtos masculinos, cremes de barbear, desodorantes, o mais famoso é o gel Bozzano. Apesar de ser incrível, vai precisar sumir por dez anos para conseguir ser visto de novo. Tem um lado lavanda, mentolado, com maçã verde para um frescor molhado. É tão frescor e de bem com a vida que fica difícil não pensar num bicheiro — o carro branco, camisa aberta, correntes sobre pelos, gel e cabelo para trás. Não consigo pensar em perfume melhor para se divertir: uma festa bem animada num dia de verão, ao ar livre, com aquela ameaça de chuva a tarde. Criado por Pierre Bourdon em 1988, o mesmo de Kouros e Bergamotto Marino (Ferré).

Cool Water, Davidoff.

Cool Water, Davidoff.
R$110,00 (40 ml)

Nas perfumarias.

Azzaro pour Homme, Azzaro

Aqui aparece o lado amargo/medicinal do herbal que se mantém até o fim do uso. Na saída tem lavanda, mentolada e pinicante, e uma nota de anis que amacia um pouco as coisas. Cheira um pouco datado, a anos 70 e seus bigodes. Uma alternativa no mesmo gênero e com preço só um pouco mais alto é Paco Rabanne Pour Homme.

Azzaro pour homme, Azzaro.

Azzaro pour homme, Azzaro.
R$99,00 (30 ml)

Nas perfumarias.

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