Resenha: Paco Rabanne Pour Homme

Onde foi que a marca se perdeu e passou laçar perfume no formato de barra de ouro e de troféu?

O fougère é inspirado na vegetação rasteira da mata

O fougère é inspirado na vegetação rasteira da mata

Paco Rabanne Pour Homme faz parte dos fougères que inventaram o “cheiro de homem” para algumas gerações, o perfume masculino por excelência — você pode ler mais sobre os fougères neste post. Ao meu nariz é menos datado que Azzaro Pour Homme e menos copiado que Cool Water, cujo cheiro foi parar em todos os produtos masculinos existentes sob a luz do sol. Esta é mais uma resenha pedida pelos leitores, você pode entrar com o seu pedido neste formulário.

Pour Homme abre com uma lavanda arredondada, que lembra ao longe sabonete, sem a parte mentolada e cortante como é freqüente, que torna os fougères perfume-de-peito-cabeludo — cheirar Cool Water para referência. Aparecem camadas de verdes escuros e amargos que gosto bastante, um herbal suave. Depois entra numa textura pontilhada de madeira com uma lembrança de cravo (o tempero), fazendo um fundo escuro. Não chega a ficar denso e exigindo a atenção como um perfume amadeirado “de inverno”, por exemplo. Mesmo que não tenha a força e distinção de Azzaro, que é impossível de confundir, é um perfume bonito, com a qualidade do fácil de usar. A transição do brilho, radiância e redondez da lavanda para o escuro com textura de madeira é bem bonita. Para quem acha Azzaro um tom acima do conforto seja pelo efeito ou projeção é uma boa alternativa, pela semelhança de gênero e preço. (Azzaro está tabelado em R$99 por 30 ml)

Pausa para reflexão: onde que a marca se perdeu e passou a usar a técnica do McLanche Feliz, lançando perfume no formato de barra de ouro chamado 1 million e outro no formato de troféu chamado Invictus?

Só não pode imaginar como Pour Homme era quando foi criado, antes das restrições de uso de musgo de carvalho, que transformaram todos os perfumes antigos que usavam o ingrediente numa espécie de feijoada light. Mas quem nunca comeu empadinha quando a massa era feita com banha sofre menos.

Paco Rabanne Pour Homme

Paco Rabanne Pour Homme
R$129, 30 ml

Nas perfumarias.

  • Pingback: 3 perfumes de machão: Azzaro, Kouros e Cool Water | 1 nariz | blog sobre perfumes, resenha de perfume()

  • L.P.Portugal

    A foto é perfeita, sinestésica com o perfume: mata noturna. Fico fantasiando que o cheiro do musgo de carvalho (um líquen) seja o mesmo do folhiço úmido de orvalho do chão da mata. Perfume da escuridão estrelada e límpida de Belo Horizonte nos anos 70. Oficial da adolescência tardia (a precoce ficou por conta do trunvirato ordinário argentino – Vitesse, Lancaster & Brut). Herdei aos poucos do meu pai, comedido, medroso e “alérgico”, sob a batuta da mãe que era a “tirana oficial escolhedora de cheiros” (acho que usando Calandre, achou” que o Pour Homme ia “ornar” em família). Quanto mais noite adentro mais masculino ficava o cheiro e mais adulto eu me sentia. Faz totalmente sentido no que diz respeito aos Fougères, não?
    Que ótima resenha! Vou ver se animo e compro um frasquinho para atiçar as memórias.

    • Paulo, que comentário legal o seu, me senti esse rapaz em BH. acho que o cheiro é por aí, o mais perto que cheguei de musgo de carvalho num perfume me deu a idéia de poção, unguento, a bruxa no seu caldeirão cozinhando uma gosma espessa. Se tiver paciência, volte para reportar sobre o Paco RAbanne, talvez tenha mudado a ponto de não reconhecer. Saudades de cachoeira e céu estrelado.

      • sonia

        Adoro este perfume.Acho que continua sendo,marcante,perfume maravilhoso.

  • Marco Gondim

    gosto demais. pra mim tem cheiro de guarda-roupa do irmão mais velho (15 anos mais velho que eu) e vem imediatamente associado a pilhas de revistas masculinas e fitas K7 com trilha internacional de novela das 8 (risos – era atrás disso que eu revirava o quarto dele quando ele não estava).
    o meu “perfume de homem” atual é o Egoist Chanel, que me parece meio ambíguo mas traz esse Cravo aí de que gosto tanto, em outra intensidade de projeção e desenho do aroma.

    • hahaha, morri de rir, Marco! acho que essa fase é meio padrão para todo mundo, não? para ficar igual a minha, pelo menos, falta só uma dose enorme de tédio. legal esse perfume atiçando a memória de todo mundo — e de um tempo bem específico. Me lembrou o Lavoura Arcaica, talvez meu livro favorito, que fecha nesse tempo.

  • Adorei a comparação com o McLancheFeliz! hahaha

    Sou super curiosa nesse Paco Rabanne Pour Homme, já tem um tempo que ouço falar dele.

    • Vc já viu a propaganda do Invictus? O troféu ainda fica em cima do p** do cara — sutileza mandou lembrança. esses dois vão pra seção Mau gosto, junto com a granada de Spicebomb.

      • Eu vi a propaganda uma vez, mas nunca reparei nisso.
        Vou olhar de novo e te falo!
        Mas o Invictus além de ser um perfume meia-boca (pelo que eu já fiquei sabendo), ainda tem um frasco horrível, parecendo um liquidificador Walita! haha

        Essa da propaganda eu não prestei atenção.

        • Nossa, pior que é verdade!! Acabei de ver.

          Mau gosto é pouco.

          • liquidi ahahahahaha hahaha hahaha

          • Igor

            Nossa, eu achei o Invictus perfeito, gostei até mais do que o 1 milion, por ser mais versátil… e o frasco é um troféu, combina apenas com vencedores… perfume pra macho!

  • Adoro este. E o Azzaro também. Fazer o quê?

    • eu fico impressionado como a galera ama o Azzaro. anos e anos e anos puxando os mais vendidos.

  • Acho que a marca se perdeu quando começou a fazer perfumes para atender a fome da geração que come empada feita com gordura hidrogenada. Falo assim porque adorei sua colocação sobre a massa feita com banha e o menor sofrimento de quem não conheceu os perfumes/a empada de tal forma. De fato, tudo hoje é tão limpo, tão light, tão politicamente correto, dos perfumes ao bolo. Estou ficando com desâmino das coisas… ai, credo…

    • Diana, é um tempo chato mesmo, que se nivela por baixo ao invés de dar autonomia para as pessoas julgarem e tomarem decisões. não vejo chance de mudar.

      do meu lado, faço força para não pensar em como eram os perfumes antigos e tentar julgar pelo estado atual, mas quando a gente pega um perfume de época ou conheceu ele nos seus tempos máximos… pena!

  • “Mas quem nunca comeu empadinha quando a massa era feita com banha sofre menos.”

    Hahahaha! Tão bom quanto lembrar a bota Zebu. Obrigado pelas gargalhadas!

    • ah, a triste decadência das empadinhas! choremos comendo pão de queijo! obrigado por acompanhar, Sergio.

  • Aliás… consegui o extrato vintage do Arpege e o My Sin…

    • ok, entendido, vamos marcar essa visita para semana que vêm. vou te escrever

  • Daniel Hisamura

    Falando em Azzaro, minha mae usa, desde sempre. Imagina a confusao na cabeça das crianças.

    • Acho sensacional, melhor assim do que usar “a sério”. Vale o mesmo pro Cool Water. escrevi sobre isso recentemente, em novembro sai!

      • Daniel Hisamura

        Esperando ansiosamente, por mais posts. Hoje experimentei o Paco Rabanne Pour Homme, e eca, eu não gostei, exatamente porque lembra o Azzaro. Já Paris YSL, ficou ecoando na minha cabeça, acho que gostei.

        • Paris!!! a rosa mutante! amo esse perfume mas não consigo usar. é lindíssimo, manda ver!

          ultimamente fiquei com saudade do Body Kouros, YSL tbm, usei muito tempo.

  • Bruno Bonadio

    Parabéns pelo. blog, um dos melhores do gênero. Vou acompanhar sempre suas resenhas agora, Abraço

    • Bruno, que bom que gostou, estamos por aqui, abraço!

  • Muito bom.

  • Não acho que a marca se “perdeu”. Eles começaram a olhar um outro tipo de público e viram o resultado escandaloso em forma de cifras ($$$$).

    São produtos diferentes para usuários diferentes. O homem clássico e elegante de Pour Homme não é o mesmo jovem que usa o doce-baladeiro 1 Million.

    O mercado é grande e a concorrência desleal. Cabe às marcas pensarem em todos os tipos de consumidores para não entrarem em falência. Por isso, versões Sport, Fraicheur, Pure Parfum, etc.

    Eu admiro e MUITO a ousadia da barra de ouro que, ainda hoje, vende muito e possui sentimentos de amor e ódio. Isso não é novidade e já ocorreu no passado com JOOP! Homme, Kouros, Lapidus, etc.

    • Entendo, Cassiano, é um caminho mais fácil, me parece, vender o aspiracional no formato do frasco ao invés de vender perfume. talvez ao invés de vulgarizar se pudesse manter a elegância do Pour Homme ou Calandre, na imagem e comunicação. a Hermès popularizou fazendo a série de jardins, são escolhas.

  • Alessandro

    Gosto bastante do Paco, foi meu primeiro perfume. Ainda posso sentir o cheiro original dele. Tem uma diferença do perfume que fica na pele e outro que fica na roupa. O cheiro que fica na roupa me remete mais ao original. Mais forte, mais amargo. Infelizmente a perfumaria foi destruída. Reformularam clássicos e só lançam descartáveis. Deviam ao menos manter as fragrâncias originais e vendê-las com aviso, como os de cigarro e bebida. Ainda sim, o que restou é acima da média. Mesmo reformulado, Paco é o fougere que mais gosto. A marca banalizou-se como a maioria das grandes grifes. Existem outras que adotaram o esquema do flanker edição limitada. Não sei o que é pior…Paco rompeu com o passado quando reinventou o duo XS através de Black XS. Talvez o duo mais vendido e badalado da marca desde os pioneiros Paco e Calandre. Talvez seduzida pelo sucesso, a marca sucumbiu e rompeu a barreira da banalização. Hoje dos antigos, praticamente só restam os pioneiros e alguns que mantiveram seu público fiel. Uma pena…o panorama atual da perfumaria é desanimador. Um abraço e parabéns pelo trabalho

    • Pois é, Alessandro, sou da mesma opinião, se as pessoas são alérgicas porque não parar de usar ou borrifar só na roupa, ao invés da pele. mas é um caminho sem volta se a indústria não se mobilizar de uma outra forma.

      Uma regra sobre a vanilina não foi adotada depois de uma reclamação geral da indústria, que teria de reformular milhares de perfumes ao mesmo tempo. é possível.

  • Alessandro

    Caro Dênis, estava lendo uma reportagem sobre a Puig, então fiquei na dúvida: é correto afirmar que a marca banalizou-se por si própria ou isso é responsabilidade da Puig? Afinal eles que administram Paco Rabanne, entre outras. Abraço

    • Acho que é dos dois lados, Alessandro. a Puig tbm administra Comme des Garçons e não se vê problema, depende muito do trato que estabelecem. abraço.

  • Tande

    Tem um perfume que esta fazendo muito sucesso Azzaro Homme 100ml eau de toilette. Comprei nesse site a um preço muito em conta.

    http://sacolaonline.com/home/148-azzaro-homme-100ml-eau-de-toilette.html