Parisienne, Yves Saint Laurent (e porque prefiro Paris)

Sophia Grojsman atualiza a mega-rosa de Paris (Yves Saint Laurent), sempre acusada de ser perfume de senhora, para um caminho mais contemporâneo. O que era uma tradução da idéia de rosa — maciez, calor, um glamour grandioso, pense num adjetivo para a rosa, ele está lá — acabou virando um floral-frutal gourmand. Esta é mais uma resenha pedida pelo leitor através do formulário.

A saída é com frutas vermelhas acidinhas, frescas, quase num caminho daquele azedo/doce de guaraná. Rapidamente essas frutas mudam para algo mais suculento, doce de sensação de nuvem, fofa e talcada, de etilmaltol (que tem cheiro de algodão doce) e almíscar, com um pensamento de rosa. A coisa fica bem doce por umas duas horas, na mesma tecla fruta-flor-açúcar. A secagem também vai nessa linha, talcada, açucarada e é mais confortável. Se Paris você pode quase apontar e dizer flor! rosa!!, Parisienne é mais algodão doce sabor fruta vermelha. 

É ruim? Não é, se você está atrás de um floral-frutal gourmand. É especial? Também não. É meio sem individualidade, parece com um monte de coisa que tem nas lojas, faltou força ou alguma virada no jogo para ganhar. De qualquer forma a impressão não é barata ou simples demais.

A descrição e algumas resenhas falam de um acorde vinil no perfume mas eu simplesmente não encontro. Vinil tem impressão sintética, quase cheiro de plástico, alcaçuz as vezes dá essa sensação. Ia ser legal. Eu prefiro o original.

Parisienne, YSL. R$159, 30 ml - Nas lojas.

Parisienne, YSL.
R$159, 30 ml

Nas lojas.

Foto: Reuters/Charles Platiau

  • Diana Alcantara

    Gosto do Parisienne, e econtro nele sim um cheiro de ‘plastico novo’, de algo sintético e mentiroso que ‘modernizou’ as rosas. Nada que vá entrar para ‘os imortais’ da perfumaria, mas é bom!

    • Diana, eu procurei, procurei e nada. Na minha pele em um segundo ele fica doce e entra numa reta meio bla. Na saída vc acha esse plástico?

  • Ciça

    Minha mãe usou Paris de 1987 até sua morte, literalmente. Antes que a colocassem em seu caixão borrifei um tantão nela, minha doce flôr. Fiquei com seu estoque e não há como sentir o cheio do Paris e não me emocionar. Outro dia cogitei em usá-lo, na última hora desisti em nome dela mesma.

    • Que memória bonita, Ciça, obrigado por compartilhar. Agora o Paris faz parte do armário de memórias olfativas, para consultar quando quiser.

      Acabei de ler sobre o Andy Warhol, que usava um perfume por um período, um ano inteiro, não sei, todo dia. depois guardava para ter memórias vinculadas a todos, cada um correspondente a um período específico. tinha uma coleção feita inteira assim. achei uma boa idéia, um jeito de cultivar a saudade no futuro.

      • Ciça

        Eu faço a mesma coisa só que em viagem: para cada uma um perfume, dai é só abrir o frasco, p ex.: L’ombre dans l’eau é cair direto na Rua da Misericórdia indo a São Roque ver relíquias ou tomando um café no terraço do adorável museu da rua das janelas verdes olhando o Tejo. Eau de Charlotte sou arremetida para os jardins da vila Borghese ou flanando no giardinno di Boboli ou sentada na murada da ponte vecchio vendo o tramonto. Posso passar uma vida contando lembranças despertadas pelos perfumes. rsrs

  • Fernanda Lima

    Entrei em uma loja, hoje, onde conheci o Parisienne e o Paris. Basicamente me apaixonei pelo segundo, mas achei tão sofisticado (nem sei se essa é a palavra certa) que, precisando entender como poderia funcionar em alguém de 31 anos, cheguei em casa e vim correndo pesquisar a seu respeito. Primeira página aberta, aqui, e encontro esse post fresquinho (e com a história emocinante acima). Ainda espero para conhecer o Nu – depois de ler a resenha bem interessante daqui – e caso ele não me agrade, Paris será minha escolha, certamente.

    • Fernanda, sofisticado é uma ótima palavra para o Paris, tem algo de chic bem marcado. O Nu é especial, menos afrancesado e com mais mistério. Esquece essa história de idade, o perfume é lindo e que mais se quer? Se eu posso opinar na sua escolha, ficaria com os dois, o Nu é mais difícil de usar no calor que Paris. Boa sorte!

  • Ele não muda a vida de ninguém, mas é gostosinho.

    • Exato! e tá bom também, não está? não é todo dia que a gente tem energia para carregar uma obra prima sobre a pele, certo?

  • Miguel

    Almiscar tem sofrimento de animais por trás

  • Jadson

    Eu testei na loja , e acabei comprando o Parisienne , n cheguei a testar o Paris , pra ver se e igual ou n , mas oq posso falar sobre ele .Na minha pele , pelo menos na minha pele eu o pude sentir algo diferente um floral com algo no meio q surge como um desejo rsrsrs n sei descrever como ele seria , talvez seja o vinil q tanto se fala , mas n sei .
    Depois ele vira um vira um floral suave aconchegante , bem suave e fresco .
    E o sinto n como um perfume para sair pra matar kkkkk , e sim como um perfume
    para sair Amar , e ser tomada pelo desejo kkkkk

  • Eve

    Oi Dênis e colegas amantes de perfumes! Também prefiro o Paris e se for perfume de senhora então que eu seja uma senhora muito bem perfumada com as mais belas rosas!!!
    Ciça, linda história!!
    Abcs
    Eve

  • Lia Martins

    Dênis, existe algum perfume que se pareça com Paris no quesito “cheiro de maquiagem”? ♡ É a característica dele de que mais gosto e queria conhecer outros perfumes que compartilhassem dela. Li sobre o Misia, da Chanel, mas me parece dificílimo de encontrar…