Falando perfumês: incenso e resinas

Frankincense queimando e amigos ao fundo. Foto: Adriaan Bloem

Frankincense queimando e amigos ao fundo. Foto: Adriaan Bloem

Preparando o post sobre Yves Saint Laurent Nu, perfume em que o incenso é parte central da história, fiquei enroscado na definição do que é isso. É uma das minhas notas favoritas, com seu aspecto cítrico e também quente, mais cedo ou mais tarde ia ter que estudar. Além disso o incenso é a própria origem da perfumaria, com ele se fazia a ligação entre o mundo terreno e o dos deuses — “perfume” se origina de “per fumum”, através da fumaça (do incenso).

A raíz da palavra incenso é latina e significa aquilo que queima, ou seja, nada diz sobre o que é que se queima. Por tradição de uso nos rituais, ficou combinado que quando se fala de incenso em perfumaria estamos falando da resina dos arbustos do gênero Boswellia (Boswellia Carterii, Sacra, …), também chamada frankincense ou olíbano. Quem já viu as gotas cor de caramelo que aparecem num pinheiro ou cipreste quando um galho quebra, sabe do que estou falando. O cheiro característico da resina do pinho e do olíbano também tem algo de semelhante, o lado cítrico, agudo, pinhoso da coisa. Não é por acaso, ambos são compostos quimicamente pelas mesmas substâncias, como terpeno e pinenos — o nariz não mente.

Boswellia Sacra

Boswellia Sacra

Mas também se queimam outras resinas de nomes fantásticos como opoponax, benjoim, mirra e breu branco, para falar alguns, esta última produzida no Brasil e que figura num perfume da Natura. Cada uma com suas características: benjoim mais doce e abaunilhado, presente nos sensacionais Prada Candy e Yves Saint Laurent Body Kouros (meu primeiro perfume), mirra mais herbal/medicinal e com um aspecto gelado, quando na natureza, em perfume aparece com uma faceta amarga, que lembra borracha queimada. Opium é um perfume com mirra que vem a mente.

A resina solidificada. Foto: Ali Almossawi

A resina solidificada. Foto: Ali Almossawi

Resinas são a marca dos perfumes orientais, densos, espessos, quentes e envolventes, os com olíbano/ frankincense são parte desse universo. É uma nota um pouco rara de ver num papel central na perfumaria de grande mercado, talvez o mais conhecido perfume com incenso seja Yves Saint Laurent Opium, repleto de resinas e especiarias quentes. Marc Jacobs Bang, tem, na saída, um pouco de incenso. Mas o mais emblemático da espécie é Comme des Garçons Incense Avignon, tradução perfeita do incenso católico.

Gotas de olíbano. Foto: oh contraire

Gotas de olíbano. Foto: oh contraire

Para quem quiser mergulhar de nariz e alma no assunto incenso, a loja Milagros, do interior de São Paulo, vende resinas como olíbano e mirra, e o carvão para queimar. Eles vendem via internet, eu já fiz a minha compra e, depois que atormentar os vizinhos com a fumaça, volto a falar no assunto.

E fica aqui o meu obrigado a perfumista Mônica Rossetto, que respondeu minhas dúvidas nesse assunto. Você já leu a entrevista dela aqui no site?

 

  • Comprei mirra, olíbano e o incenso chamado Oro Nero (acredito que tenha opoponax em sua composição) em lojas de produtos católicos aqui no centro de SP, tem muitos na Editora Vozes e na Loyola. Muito bons, de aroma intenso! Acho que você vai gostar muito!

    • ah, que legal! e eu to com copal, um incenso mexicano, aqui há um monte de tempo, não queimei pq não tenho o carvão. tem a Paulinas aqui perto tbm, esqueci completamente, deve ter lá. será que vai fazer bem pra minha rinite? RISOS

      • Ai, dane-se nossa rinite!! Imagina o quanto vai ser legal conhecer esses aromas milenares e mágicos!!!!

  • Eu adoro incenso “físico”, mas passo longe porque minha rinite não permite (e viva a rima!). Incenso pra mim só em perfume.

  • Levi Callegario

    Denis, o Yves Saint Laurent Opium mudou de fórmula ou de rótulo desde a sua criação? Por vezes o encontro ilustrado na internet com dois rótulos diferentes…
    Obrigado pela atenção!

    • Levi, as duas coisas. A última formulação é do perfumista Antoine Maisondieu.